A discussão em torno do anúncio da venda da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) e o impacto para o município de Canoas reuniu na Câmara de Vereadores, nesta quinta-feira (17/10), o prefeito Luiz Carlos Busato, deputados, vereadores, entidades sindicais, profissionais ligados à refinaria, representantes da empresa e comunidade. O Grande Expediente foi proposto pela comissão especial criada no Legislativo canoense para acompanhar a privatização da refinaria.

Na abertura da sessão, o presidente da comissão especial, vereador Cris Moraes (PV), comentou a preocupação com os reflexos da venda da refinaria para a economia do município. "Estará se abrindo espaço para um monopólio privado, segundo as notícias, em função do mercado cativo que a refinaria tem no Rio Grande do Sul, além da perda de royalties”, afirmou. Relator da comissão, o vereador Paulo Ritter (PT), destacou que o Grande Expediente representa um ato em defesa da Refap e defendeu o engajamento de toda a população no debate. O vereador Marcus Vinicius Machado - Quinho (PDT) também ressaltou a necessidade de ampliação da discussão por envolver uma questão estratégica para a cidade.

Um resumo da operação e da logística da refinaria, que opera há 51 anos, foi apresentado pelo gerente geral da Refap, Osvaldo Kawakami. Ele salientou que o processo de venda integra a política de gestão do portfólio da Petrobras, o que significa, segundo ele, buscar atividades em que tem mais rentabilidade: "Isso é feito em qualquer outra empresa”. Kawakami acrescentou ainda que a transição para a empresa compradora, após a assinatura do contrato, acontecerá aos poucos para garantir a continuidade da operação. "O processo de mudança gera dúvidas, mas os exemplos que temos são extremamente positivos”, disse.

Os argumentos apresentados pelo gerente da Refap foram rebatidos pelo diretor financeiro do Sindipetro-RS, Dary Beck Filho. "O que eles chamam de gestão de portfólio é a destruição da Petrobras", pontuou. Para o dirigente, não faz sentido a empresa vender oito refinarias que representam 37% do seu faturamento: "A venda visa apenas lucro a curto prazo para acionistas estrangeiros. Não há justificativa técnica".

O prefeito Luiz Carlos Busato comentou a preocupação do município com o futuro da Refap e a apreensão com o que vai ocorrer justamente após a venda, se continuará operando como refinaria. "Trata-se de uma empresa que faz parte da história da cidade, não conseguimos entender como Canoas poderá sobreviver sem uma refinaria”, declarou. A estimativa é de que o município sofreria uma perda de arrecadação de ICMS na ordem de R$ 100 milhões por ano com a privatização.

Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobras, instalada na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Pepe Vargas (PT) alertou para a gravidade da situação. "Canoas é o município gaúcho que sofrerá o maior impacto de uma eventual privatização da Refap”, advertiu. Considerou um grande prejuízo para o desenvolvimento econômico e social para o Estado: "A Petrobras abandonará o Rio Grande do Sul".

O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT), representante da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras, em funcionamento no Congresso Nacional, enfatizou que a privatização de empresas públicas é cercada de falácias, como maior eficiência, melhoria da qualidade dos serviços e barateamento de preços. "Também é muito importante discutir essa mudança de monopólio", avaliou.

Para aprofundar o debate, o assunto voltará à pauta na Câmara Municipal de Canoas em uma audiência pública, ainda sem data definida. A sugestão de realizar o evento foi apresentada pelo vereador Emilio Neto (PT) e aceita pelo presidente da Casa, vereador Cezar Mossini (MDB).

 

Texto: Assessoria de Imprensa

Foto: Aline Cruz/CMC

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